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sábado, 5 de junho de 2010

PIMPOLHOS


De todas as nossas Organizações Filiadas e Paralelas a mais nova, e ao mesmo tempo a mais antiga é, podemos dizer, a Ordem dos Escudeiros da Távola Redonda. Mais nova evidentemente por ser de fato a última a ter sido criada, estruturada e implantada, mas também a mais velha, já que teve seu embrião e ideal de trabalho valorizado antes de qualquer outra. Como isso se deu? Pela “Order of Chivalry”. Devemos lembrar que de inicio a Ordem DeMolay era destinada para jovens do sexo masculino entre os 16 e os 21 anos, constituindo uma faixa etária bem mais restrita com relação a atualidade. Nestes primeiros anos a mente de F.S.L. já se dedicava a providenciar uma estrutura para os meninos que ainda não podiam ingressar na Ordem DeMolay. Deste desejo nasce a idéia de uma ordem associada.
O ideal inicial era o de uma organização aos moldes da cavalaria medieval. Pensando em tudo isto o tio Frank S. Land organizou uma instituição para jovens entre os 13 e os 15 anos, a batizou de “Order of Chivalry” e chamou Frank A. Marshall para que produzisse seu ritual. E assim foi feito. Trabalhos completos foram produzidos em 1927, e sendo apresentados ao International Supreme Council para aprovação, o que recebeu, em Abril de 1928. Duas características nos devem ser especialmente importantes do ponto de vista ideológico e objetivo. Primeiro que esta nova organização reunia seus membros em organismos chamados “courts”, o mesmo nome posteriormente utilizado pelos Lordes Chevaliers. Estas cortes eram patrocinadas tanto pelos Capítulos DeMolay, pelos Capítulos Alumni quanto por qualquer corpo maçônico diretamente; não havia exclusividade de ligação. E segundo, que intrigantemente Dad Land deixou claro que o objetivo desta ordem era sim o de conseguir jovens para a Ordem DeMolay, fazendo dela uma porta direta de captação de membros.
Neste momento Land já comandava uma poderosa força da juventude mundial e começava a distribuir tarefas em certos setores para o melhor andamento da ordem; é neste espírito que ele nomeia o irmão e tio Walter Christian Ploeser, (1903 - 1993) como “Administrador” oficial da recente criação. Nosso Ir. Wally como era conhecido, empenhou-se em instalar alguns organismos e fortalecê-los para que servissem de exemplo. A ordem nasceu também em Kansas City / Missouri, mas podemos destacar o mais forte que chegamos a registrar, situado na cidade de San Antonio / Texas, o W. T. Garven Court nº4, patrocinado pelo capítulo Albert Pike nº58, também reconhecido como um dos mais atuantes capítulos do mundo até hoje. Esta corte foi instituída em 29 de Setembro de 1928, e trabalhou até o final de 1931. O oficial comandante destas cortes recebia o título de “Ilustre Diretor”. Cada corte possuía seu conselho consultivo, formado por um Sênior DeMolay que o presidia, e outros DeMolays Ativos, que eram os conselheiros menores, ou Junior Advisors.
A estrutura já era tão avançada que cada corte contava com 13 oficiais. O Ilustre Diretor, Ilustre Diretor Adjunto, Primeiro Diretor, Segundo Diretor, Condutor, Condutor Assistente, Mestre de Cerimônias, Capelão, Guarda Estandarte, Mestre dos Trompetistas, Guarda Interno da Corte, Guarda Externo da Corte e Guarda dos Registros. Os trabalhos refletiam a constante preocupação de Dad Land com a juventude e o futuro dela. Ali estava ainda outra marca indelével da sagrada passagem: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que cheguem os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer.”, Eclesiastes 12:1.
Em 3 anos haviam sido instaladas apenas 18 cortes e o programa ainda enfrentava muita resistência, tendo seu sucesso comprometido. Em 1931 a ordem foi descontinuada, deixando de receber foco, apoio e interesse. O golpe mortal viria em Março de 1944 com a diminuição para 14 anos da idade mínima de ingresso na Ordem DeMolay. Infelizmente quando nosso 'Brother and Dad' Walter C. Ploeser assumiu como primeiro Sênior Grande Mestre do ISC, em 3 de Março de 1952 já não lhe restava muito a fazer. Morria Assim o sonho de uma organização associada sequencialmente anterior a ordem principal.

* A primeira imagem é do tio W. T. Garven, cujo nome foi homenageado na corte citada no texto.
** A segunda imagem é de Brunett Mason, último Ilustre Diretor da Order of Chivalry em 1931.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

ILUSTRE RITO DA CAVALARIA, À MODA BRASILEIRA E COM BATATAS


No Brasil encontramos uma feliz diferença para com a Ordem DeMolay do restante do mundo, trata-se do já conhecido IRCB, Ilustre Rito da Cavalaria Brasileira. Isto é na verdade a Ordem da Cavalaria estruturada de forma mais ampla tanto em graus, quando em temáticas abordadas e o devido sistema de estudo.
Conseguimos uma ampla linhagem de “graus” na Ordem DeMolay, rituais belíssimos, filosofia singular e especial proximidade com os ritos maçônicos. Nossa Ordem da Cavalaria assumiu corpo a semelhança do Rito de York, enquanto os graus internamente são legitimamente filhos do Rito Escocês. É necessário fazer uma grande ressalva quanto a denominação popular de “novos graus” que foi dada as Ordens de cavalaria introduzidas em nossa estrutura. Estes “graus” que na Ordem da Cavalaria denominamos “Ordens” a exemplo das antigas ordens de cavalaria da idade média, não são novos, na verdade foram escritos na mesma época em que a Ordem da Cavalaria foi instituída.
Na década de 1950 vários rituais foram escritos por demolays estadunidenses, alguns foram divulgados e usados nos corpos. Alguns deles projetados para a Ordem da Cavalaria, eles surgiram especialmente no estado de Ohio. Quando nosso irmão, tio e amigo Alexander Paschoal King Jr; conhecido carinhosamente como “Pat” assumiu o posto de MCE e conduziu um longo trabalho de fortalecimento da instituição. No total existem em torno de 26 graus escritos para a Ordem DeMolay, sendo vários deles praticados com relativo apreço e sucesso em alguns estados. Nos EUA estes “graus” são organizadores e usados conforme a vontade individual de cada convento, não havendo uma organização nacional. Vale lembrar que a Ordem da Cavalaria no geral praticamente morreu no solo daquela nação e é pouquíssimo utilizada no resto mundo, exceto por aqui.
Nós organizamos o IRCB na seguinte forma: Ordem de Cavaleiro, conforme preconizado pelo próprio fundador FSL; Ordem de Cavaleiro da Capela; Ordem de Cavaleiro da Cruz de Salém, Ordem de Cavaleiro Ex-Templário, Ordem do Tableau, Ordem de Cavaleiro da Tríade, Ordem de Cavaleiro do Ébano, Ordem de Cavaleiro de Anon, Ordem de Cavaleiro da Cadência, Ordem de Comendador da Cavalaria, Ordem da Grã-Cruz da Cavalaria e Ordem de Cavaleiro do Manto Prateado. A Ordem de Cavaleiro é a porta de entrada para a Ordem da Cavalaria e sofreu poucas alterações sendo praticado livremente pelos conventos. Até a Ordem do Cavaleiro da Tríade é o que foi chamado de série histórica e de fato lida muito neste sentido. Em seguida temos a série filosófica que engloba as demais ordens até a Ordem de Cavaleiro da Cadência. As três últimas formam a série honorífica, não sendo concedida fora das indicações.
Assim obtivemos uma Ordem da Cavalaria à moda brasileira, unificada nacionalmente o que nos colocou mais uma vez a frente do mundo demolay. Mas não somente fizemos isso. Quando o IRCB foi implantado houveram alterações que infelizmente deturparam muitas de suas características originais. À Ordem de Ex-Templário foram adicionados sinal e palavra de reconhecimento, que originalmente inexistem; esta é uma ordem alegórica limitada. A Ordem do Tableau foi tristemente reduzido a um mini monólogo de apenas 5 minutos, quando na verdade é uma bela re-experimentação da lição central de toda a Ordem DeMolay, teve sua essência perdida e lançado a função de simples acessório.
A Ordem de Cavaleiro da Tríade, conhecida originalmente como “Tableau do Texas” teve sua tradução muito bem aventurada, podemos dizer pela felicidade da amplitude fonética e gramatical de nossa língua portuguesa. Nossa Ordem do Ébano foi suspensa sem necessidade e sua nova versão não correspondeu as expectativas e muito menos aos anúncios que tentaram justificar a sua privação para com os cavaleiros do Brasil. A Ordem de Cavaleiro de Anon praticado atualmente é uma verdadeira vergonha ao estudo e aplicação do ritual, esta sendo transmitido com emblema inexistente e brasão montado de forma errada; foi separado da Ordem de Cavaleiro do Ébano e criou-se ai um vácuo nada benéfico ao processo de desenvolvimento do pensamento crítico que desejamos propiciar aos nossos membros. A Ordem de Cavaleiro da Cadência a pouco surgiu e já foi transformada em objeto de política e teve sua conceituação mística pouco a pouco esquecida; aquela que deveria ser a coroação da caminhada esta sendo desprovida de seus detalhes íntimos que lhe conferem tamanha especialidade.
E para deixar a todos mui felizes, podemos esperar um pouquinho pois até hoje não temos estes rituais plenamente disponíveis, mesmo depois de anos de trabalho, e ainda teremos de ver a todos eles serem lançados em breve mais uma vez alterados de forma arbitrária. Só me resta chamar o garçom e dizer: “Moço, tem batatas no meu feijão”!

sábado, 3 de abril de 2010

ANIMÉ TROPICAL



Eis que já se havia fundado a Ordem DeMolay no Brasil, já tínhamos nossos jovens animês vampiros vagando pelos mosaicos quadriculados nacionais; e o que mais caberia a fazer nestas terras? Muitos diriam que nada pois já havia a possibilidade de iniciar os jovens desse país e ensinar-lhes as virtudes de nossa fraternidade. No entanto, houve um feixe de luz sobre as mentes da época para que aqui se firmasse o desejo de soberania alavancado pelo mais legítimo ensinamento demolay de patriotismo. E adivinhem quem surge outra vez senão o nosso “bom velhinho”.
Nosso tio Alberto Mansur em 1984 já havia conduzido uma bem sucedida campanha de apresentação da Ordem DeMolay pelo Brasil, e mais uma vez tinha seus pés na cidade de Boston, oportunidade onde encontrou-se com o então Grande Mestre do International Supreme Council, o tio Don W. Wrigth. Apresentando-lhe o bem sucedido caso da ordem na nossa pátria onde em apenas 5 anos, sendo uma instituição nova e enfrentando o arcaico conservadorismo que não aceitava jovens trabalhando em templos sagrados, já havia logrado o resultado grandioso de 25 capítulos devidamente instalados e trabalhando, a solicitação de tantos outros e o gratificante número de mais de 3 mil jovens em suas fileiras. Era o prenúncio da maravilha que somos hoje.
Foi então na abençoada data de 12 de Abril de 1985, na câmara municipal da cidade do Rio de Janeiro que o tio Don W. Wrigth, GM do I.S.C; acompanhado do Irmão Steven W. Borror então Mestre Conselheiro Internacional entregaram nas mãos do tio Alberto Mansur a carta constitutiva do SUPREMO CONSELHO DA ORDEM DEMOLAY PARA O BRASIL. Na mesma data ainda foi assinado um Tratado de Mútuo Reconhecimento, Confiança e Irmandade. Este tratado estabelece já em sua primeira página que de acordo com a resolução adotada em Sarasota/ Florida, na data de 09 de Maio de 1984, in verbis “... CONSTITUI o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, Supremo Autônomo com Independência e todo o Poder e Autoridade em todos os assuntos pertinentes ao governo da Ordem DeMolay no Brasil e por meio deste RENUNCIA ao dito Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil a própria autoridade do Supremo Conselho Internacional...”.
Então depois dos E.U.A; Austrália, Canadá e Filipinas era o Brasil que conquistava sua posição como supremo conselho, posição soberana de onde passa a dialogar como igual para com as demais nações que haviam conquistado este status. Não mais eramos dependentes das orientações e permissões estrangeiras, mas livres para doutrinar sobre nossos próprios pensamentos enquanto instituição nacional. Passamos a ser soberanos para decidir sobre nossos próprios caminhos e principalmente, alcançamos o posto de reconhecidos e fiéis guardiões do magnifico esforço de investir na juventude, mantendo viva no Brasil a centelha abençoada que o nosso amado tio Frank Sherman Land havia iniciado.
Ao contrário de muitas instituições o inicio de nossas atividades não foi marcado por uma pedra em um canteiro de obras, mas por uma carta, ato dos homens em sua simplicidade diante de deus que foi basilar para que estivéssemos hoje fincando verdadeiros obeliscos na sociedade com o bom exemplo de nossos jovens. E acima de tudo, pelo fato de sermos a mais sincera, a mais filosófica, a mais tradicional, e principalmente a mais fraterna de todas as agremiações juvenis de nossa era, é que podemos dizer inequivocamente que temos todos, ativos e seniores, independente de graus ou honras no mais profundo de nossos seres, encravado em nossos corações o grande bloco sagrado, que não é rocha sólida, mas o altar inviolável onde selamos nossos votos. Lá esta a nossa razão de nos acharmos aqui reunidos. E com orgulho hoje podemos dizer que diante de tudo e todos, nós somos a pedra angular sobre o qual se baseia a ordem, nós somos todos o Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil.